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6/16/2008 Desconclusões desconexas e precipitadas(na foto, eu e minha irmã)
“E não percebes que o que amam em ti
é o brilho de eternidade em teu olhar?”
Friedrich Nietzsche
Minha saga patética de paixões e emoções se torna, a cada dia, mais repleta de desconclusões desconexas e precipitadas. Vivo das minhas ilusões e projeções malucas por quem não conheço de verdade. Chego a respirar essas coisas e espirar desilusão. Expira minha esperança e minha força de vontade durante esse processo, ou seja, pra resumir: “estou com o saco cheio”.
Vou ser sincero agora e, toda sinceridade exige zero de falsa modéstia.
Sou um cara legal. Cultuo bons livros, filmes e músicas. Sei do que sou capaz e, na maioria das vezes, aonde quero chegar. Trabalho pra caralho mesmo. Tenho dois empregos que adoro, um mestrado maluco, uma família que amo, uma afeição pelas letras que me faz acreditar que posso ser um escritor, amigos e amigas que moram em meus pensamentos, uma sanduicheira que uso 24x7, uma caverna aonde sou eu mesmo em toda intensidade só para mim, um carro velho que me leva para todo canto de Curitiba e região metropolitana com doses cavalares de derivados do petróleo, um mau humor exagerado e cheio de ética e caráter, umas lembranças de tempos importantes que passei com outras mulheres, uma saudade que não acaba do meu avô, um brilho de eternidade nietzscheziano no olhar, uma infinidade de pensamentos desvairados sobre filosofia e existencialismo, muito mais de meia dúzia sonhos sem fim de felicidade nas coisas mais simples da vida e um desejo desmedido de viver um grande amor que até hoje não senti sabor.
Sou tudo isso, misturado com um bocado de neuroses, manias, maluquices e paranóias. Acredito no impossível e inexplicável como o Mulder. Aspiro a um mundo melhor feito o Al Gore. Deliro sobre a arte do discurso público sobre a metafísica, tipo o Zaratustra. Sou isso aí e me chamam de professor entre uma aula e outra que ministro na faculdade com um esforço desvairado pela ética e responsabilidade na comunicação social.
Cresci com a obrigação de carregar o peso de decisões maiores que minhas costas. Porém, vivo dessa maneira sem negligenciar jamais quem amo e sem deixar de viver o que é de festa, de diversão e de boemia.
E, por ser essa pessoa, alço vôos até astros e planetas distantes por quem me importo. E, Ainda assim, aparentemente não toco o coração de quem gosto ou aspiro a gostar ou deliro em projetar. E não recebo aquele olhar de quem se apaixona ou o sorriso do carinho especial. E não se encontram os olhos dela nos meus, como diria o grande poeta. E justamente eu, sempre disposto a abandonar tudo e qualquer coisa por um grande amor, perco-me no vazio das minhas palavras ao vento e de meus gestos no escuro.
Só que agora cansei. Cheguei à desconclusão desconexa e precipitada de que só vou gostar de quem gosta de mim. Não vou me esforçar pelas fantasias malucas que o destino insiste em colocar em meu caminho. Não vou lutar contra moinhos de ventos ou, como diria o filho da virgem, dar pérolas aos porcos. Só vou entrar nas minhas batalhas perdidas se isso for a coisa certa a se fazer.
Isso quer dizer que, se existir meu sentimento, vou expressar. Se houver meu desejo, vou demonstrar. Só que farei isso, com olhar de quem repudia completamente os jogos de sedução. Foda-se se é muito cedo ou se não é a palavra certa a ser dita ou se alguém vai se assustar ou se vou perder para sempre. É impossível perder o que não se pode ganhar e, além do mais, a verdade é que jamais se perde aquilo que é para ser seu.
Pra resumir, vou falar tudo sempre e me apaixonar o tempo todo e ser esse cara maluco e disposto a ir além e a ser só do grande amor. Vou fazer isso com o cuidado de não desperdiçar minha energia com quem não me admira pelo que sou e pelo que ambiciono em me tornar. Chega das máscaras dos jogos de conquista, essa é minha desconclusão desconexa e precipitada para os próximos tempos. Que venham as palavras e histórias e cenas cinematográficas e pessoas incríveis. Porém, que elas cheguem perto apenas se irradiarem brilho nietzscheziano de paixão no olhar.
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