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9/2/2006 A Ausência da SimplicidadeChegou atrasado ao local combinado. Todos já ocupavam seus devidos lugares na cena de mais um dia imperfeito. Os malabaristas de farol. Os carros atrasados sempre. Os paralelepípedos soltos. Nada fora do que determinava a mediocridade. Tito atravessou a rua com o semáforo vermelho. Passou próximo à faixa de pedestre e, bem nesse momento, pensou: “Por que é que eu tô aqui mesmo?!” Lembrou de um amigo, bom amigo, daqueles de verdade. “Iremos sempre viver sob as asas desta maldição.” Tito entendeu no dia. Não havia como não compreender alguém tão parecido com ele mesmo. Alguém que o-tal-do-que-era-pra-ser trouxe para perto com a simplicidade que o vento carrega o pó. “Qual maldição?” Qualquer outro perguntaria isso. Porém, Tito entendia. Entendia que o destino trazia para perto de seu amigo uma pessoa fantástica. Mais fantástica que seu próprio mundo. Trazia para perto e desafiava. “Decifra-me ou a vida te mandará pra longe.” Não havia espécie alguma de simplicidade que pudesse responder à história dos dois. Nem do amigo trazido pelo vento. Nem da pessoa mais fantástica que seu mundo. Tito lembrava e atravessava a rua perto da faixa. Rua de uma mão só. Longe do nunca mais. Determinismo fatalista. Amor desencontrado. Hora errada? “Mas a maldição da lembrança prosseguirá sempre.” Sobrevoando as metades que se perderam. Sobrevoando os paralelepípedos que nem notam. Sobrevoando a falta de simplicidade de resposta. Chegou ao outro lado da rua em segurança. Comprou o ingresso no débito. Entrou no cinema. Odiou o filme. |
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