Felipe's profileO Fantástico Mundo de Fe...PhotosBlogLists Tools Help

Blog


    25/06/2007

    Previsões de um Natal Titânico

     
    Há quem joga o sonho pra longe, planeja em longo prazo, a perder de vista.
    Existem também aqueles que jogam pedras nas ilusões, vivem com prazo de validade, sem perder nada de vista.
    Tito era um excelente meio termo e, naquele ano de 2007, decidiu pensar só até o natal.
    E a pergunta do momento precisava ser respondida: “O meu natal será um natal igual ou um natal especial?”
    A escolha parecia simples. O difícil era preencher as lacunas, ocupar o vazio e não perder o sono ou o sonho ou o prazo de vista. E o plano de ação se desenhava:
    O quê? – Natal Especial.
    Quem? – Felipe e/ou Tito.
    Quando? – 25 de dezembro de 2007.
    Como? – “Boa pergunta!”
    Como arremessar o sonho e o plano e acertar bem na testa do Santa Claus? Como impedir que o Grinch roube a cena em mais um ano?
    “Imaginação” soava como resposta.
    “Vou começar me imaginando feliz.” Feliz e comendo, afinal comer e natal tornam a frase mais palpável. Mas ainda falta, claro que falta. Falta desejo. Falta perder a tristeza de vista. Arremessar o sonho com precisão.
    Para isso, o segundo passo seria a bebida. “A comida que me perdoe, mas bebida é fundamental.” Cerveja bem gelada, muita família, vários presentes, bastante comida e dinheiro suficiente para financiar a extravagância.
    Para a pergunta da namorada, Tito responderia convencido:
    “Só com muita vontade, muita paixão, com muita troca de sorrisos e de carinho e de idéia. Só se o sonho e o desejo se misturarem em uma só nota e só se a música for rock pra hora certa, bossa nova para o que é especial e Marvin Gaye para a rotina. Só se for filme com mais e mais vida em cada número de página. Só se for final de conto de fadas, sem precisar do pra sempre ou do tudo ou do nunca mais.”
    Para a pergunta da profissão, Tito afirmaria: “Em cada prateleira das livrarias do Brasil, um novo livro. Um novo autor. Uma paixão concretizada. Um sonho impresso com medo e verdade.”
    Para a pergunta do resto, Tito anunciaria: “Todo resto é resto e nem por isso menos importante que a parte que forma o todo. Para todo o resto, a felicidade. Para a empresa, o plano de ação. Para o salário, o dobro sempre. Para o passado, uma chance de amizade. Para o futuro, um toque verde de esperança. Para o presente, mais segundos e mais vitalidade e mais natal.”
    Sonha, Tito, sonha. Joga o futuro para cima. Planeja o melhor de cada natal. Não perde de vista os olhos do presente. Encara tudo com fúria e a com certeza de que, no final, tem música boa. Com a certeza de que, no final, o filme acaba bem. E que, no final, haverá cor em cada fonte e em toda página. Sonha para nunca mais, para tudo, para sempre e, no final, você encontrará muito mais o que viver.
    23/06/2007

    Solidão: presente ou perdida?

     
    Tito olha pela frestinha da janela da cozinha enquanto a água ferve. O barulho que vem do fogão não incomoda, tampouco a respiração ofegante do cachorro ou a brisa que entra devagar pela janela. A solidão é palpável. Não há com quem falar. Não há tempo. Existem, no entanto, perspectivas. Porém, estas parecem perdidas num futuro confuso de desilusão. A falta de paz ou grande esperança traz consigo a inquietude. No entanto, a água ferve rápido. O café está na caneca. Grande. Pequeno balde de café. O sábado se arrasta para baixo das cobertas e o que definitivamente se apresenta perdido, permanece desta maneira. Cada sensação ou gosto. Esse é o novo compromisso de Tito com a vida. E a solidão permanece com ele, palpável, solícita e amarga. Forte como o café.  
    21/06/2007

    A mulher mais bonita do forró e outras histórias

     
     
    Dia bizarro. Dia daqueles que começam depois da uma da tarde. Dia de comer pizza e tomar cerveja. Dia normal. “Normal até alguém me chamar para dançar forró.”
    Lá foi o herói das pernas descoordenadas. O lugar estava cheio de gente bizarra. Gente feia caindo pelas janelas fechadas. Ar condicionado estragado. Calor com cheiro de enxofre. Um sujeito de muleta tentando dançar. “Se ele dança, eu danço.” Uma tia gorda rebolando com estilo. “Se ela dança, eu danço.” E um anão. Anão de terno branco e chapéu também branco. “O que é um ponto branco num calor dos infernos?”
    Tito ficou sentado, tomando algumas cervejas. Enquanto isso o anão chegava manso e convidava a mulher mais linda do lugar para dançar.
    “E eu não estou falando linda em comparação ao povo feio que tinha no forró. Estou falando linda-estilo-beleza-natural-que-desenha-cada-curva-e-que-termina-num-sorriso-daqueles-que-acabam-com-os-argumentos-de-todo-sujeito-metido-a-falar-escrever-pensar.”
    Alguns sorrisos depois, o anão de branco cheio de piadas desenhava polígonos irregulares na pista e arrastava com ele a mulher mais bonita do forró. “O pior de tudo que ele dançava tão mal quanto eu.” Tito tomou mais uma cerveja e ela continuava dançando com o hobbit. Tomou outra cerveja e ficou vendo como ela se divertia com o pequeno. Tomou mais uma cerveja e muita coragem. “Se ele dança, eu converso.” Silêncio. A banda parou e o oompa-loompa foi pra um lado e a mulher mais bonita do forró para outro. Tito ficou olhando e desejando para que ela passasse perto dele. Melhor que isso: ela sentou na mesa ao seu lado.
    Ele não perdeu tempo. Deu oi e tratou de começar uma conversa. Ela parecia interessante. Contou que era freqüentadora assídua do local. Disse que sempre dançava com todos sem exceção, desde os sujeitos mais bonitos até os mais bizarros. “Ela não usou a palavra bizarro, mas eu senti que passou por seus pensamentos.”
    O manco. O galã. O metido a dançarino. O feio. O anão era o que dançava melhor. “Os anões sempre me tiram para dançar, ela me falou.” Tito olhava boquiaberto e pensava quantas cervejas tinha tomado. Os anões são ótimos, ela repetia. “Devem ser, eu concordava. Terminamos a conversa falando de autores famosos que escreviam sobre anões.” Mudei de assunto. Cerveja. Conversa boa, até o anão aparecer outra vez. Na conversa e na pista. “Não é todo mundo que está disposto a ignorar os pequenos obstáculos.” Tito foi para casa andando. Chegou sóbrio e com dor nas pernas. Dormiu e sonhou com a mulher mais bonita do forró cercada por sete anões. “Melisso!” – ela gritava. Tito acordou ligou a televisão com o filme mais violento que encontrou na prateleira. Depois desse outro e mais outro. “A mulher mais linda do forró e outras histórias.”
    19/06/2007

    Bem solto

     
    Solto um grito rouco, louco, pouco...
    ...e o mundo só responde em eco, seco, oco.
     
    Eu escuto: "quem nasce perdido, pedido, sentido"...
    ...caminha sempre reto, incerto, deserto.
     
    Por isso solto um grito...
    ...do meu jeito bem solto...
    ...como quem salta e pula...
    ...e nunca encontra...
    ...se encontra...
    ...não conta.
     
     
    08/06/2007

    Além do Verbo

     
     
    No Além do Verbo, chuva. Água por todo lado.
    Um choro por nada. As cores. Cada tinta na fachada.
    O cheiro. Todo sonho. Tudo junto no Além do Verbo. Numa cesta.
    Numa sexta. Numa janela. Cada conversa sem fim com cerveja. Bem gelada no verão. Vinho encorpado no inverno. Tinto.
    Tito no além do verbo.
    Duas palavras sempre: saudade e voz. Uma música sem fim e sem verbo.
    Por acaso. Sem rima.
    Violão e piano. Rock e Bossa.
    Tito e Pequena. Loucura boa e imaginação louca.
    Água por tudo. Cereja de verdade em todo sorvete. Filmes nas paredes de cada quarto, cada sala e cortinas de papel.
    Papel seda. Azul paciência. Vermelho paixão. Amarelo luz. Verde bucólico.
    A chuva e água gentis como um enfeite.
    Harmonia. Belas vizinhas.
    Perfume em cada cheiro. Tudo inteiro.
    Bons amigos. Grandes livros.
    “Um com meu nome na capa.”
    Fante nas melhores vitrines.
    Adeuses efêmeros. Deuses comuns.
    Passos sábios. Desejos nos lábios.
    Na letra. Na folha. No papel.
    Meu lugar. Além do Verbo, Meu Lugar.

    Vem pro Meu Mundo, Pequena.

    Vem, Pequena. Meu mundo é muito fantástico para ser pequeno. Cabe você, Pequena. Pula a linha que separa e divide. Pula para o lado em que o cheiro de chá é de maça. Vem, Pequena. Mas, vem com amor e paixão loucos. Vem, Pequena. Me amar enquanto eu beijo seus lábios com carinho. Chega bem perto para eu tirar seus fios de cabelo – aqueles que fazem charme e passeiam macios no seu rosto – da minha frente. Enquanto minha mão desliza gentilmente pela sua nuca e segura e traz você para perto, Pequena. Daquele jeito que você disse em outra vida que gostava. Vem, Pequena. porque meu mundo é rápido. Gira fantástico pelas curvas de seu corpo. Gira gentil e amante e apaixonado pelo amor que eu sinto. Vem, Pequena. Não quero você só imagem. Imaginação. Delírio de inverno. Dia dos de se apaixonar chegando. Vem, Pequena. Diz que me ama até quando durar. Porque meu mundo é grande demais para ser pra sempre. Porque meu mundo gira demais para ser simples. Porque, Pequena, você sabe bem. Vem, Pequena. Vem sabendo amar, sonhar, cantar, gritar, chorar, ser tudo ou nada. Porque meu mundo é intenso demais para ser pequeno, Pequena. Vem, Pequena. Sonha e sente o cheiro da chuva chegando. Chama meu mundo de perdido, Pequena. Por ser só seu, eu peço. Vem, Pequena. Aparece como quem some. De repente. Para enquanto durar. Para fazer meu delírio de inverno verdadeiro. Porque meu mundo é muito sonho pra ser pequeno, Pequena. Porque meu mundo é muito sonho. Porque meu mundo é muito. Porque meu mundo, Pequena, é seu demais para ser de outra alguém.

    Me too...

     
     
    (texto a quatro mãos: as duas do Felipe Belão Iubel e as duas da Alice “Wonderland Girl” Salles – “ela, puro sentimento” diz Tito)
     
    "Amo quando a gente respira fundo e o ar gela os pulmões..."
    Tinha passado muito tempo desde a última chuva que molhou seus pés na varanda de sua casa. Voltar pra onde ela nunca tinha realmente saído não era um alívio, era um vazio que precisava ser preenchido.
    "Me too..."
    Talvez preenchido não com pensamentos arredios ou tristes, mas sim com gente. Quando foi a última vez que ela tinha amado alguém.
    Tito a imaginava tão forte. Tão forte para seu olhar de menina perdida perdido. Ela sonhava oferecer mais do que o mundo parecia aceitar. E os três repetiam aquela frase na varanda enquanto a chuva insistia em sua beleza.
    “Me too...”
    E a verdade era que ele gostava mesmo. Bobby representava sua falta de chão. Ela representava a inocência sendo perdida em seu mundo de nuvens. Tito podia sentir sua própria expressão triste sonhando com a janela às suas costas. Futuro? Quem escolhe viver, chama o presente de anjo amigo.
    “Me too...”
    Já estava tarde e Nina Simone tocava no rádio velho que estava sobre o balcão da cozinha. O vazio tomou conta novamente e quem estava perto estava respirando no mesmo ritmo que Tito respirava. O cheiro do mato, a voz no rádio, o balanço dos corpos ao seu lado... Tudo o remetia aos pensamentos que não precisavam existir.
    “Amo não pensar...”
    Me too…
    Me too…
    Era isso enfim o que ele queria ter eternamente pendurado em seu pescoço como um amuleto único no mundo: o não pensar.
    Me too…
    Era isso que aqueles que dividiam a respiração com ele precisavam. Afinal, não é bom precisar de algo que se pode ter assim tão fácil com alguém?
    Porém, o perfume nos confunde. O fácil se perde naquele cheiro úmido de mato amassado. Cada passo da vida libera ainda mais o gosto de paz e harmonia efêmeras. Como são importantes as amizades.
    E Tito respirava todo aquele sentimento e pensava alto misturando as fragrâncias.
    “Como eu gosto de pensar que existe alguém olhando pelas frestas da janela que eu sinto às minhas costas. Quanta esperança isso pode trazer. Quantas frases a serem ditas se calam. Meu anjo amigo diz que é agora, mas é tão difícil não pensar. Carpe Diem – gritam alguns do que citamos. Porém, quem escuta é você, Bobby. Escuta, vive, mas também sofre. Como eu gosto de pensar que existe alguém olhando pelas frestas da janela.”
    E ela repetia:
    “Me too...”
    E Bobby não estava mais lá.