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20/05/2008 Eu só escrevo do brilho do olharHoje, logo depois do segundo café, decidi viver o que esse sentimento me oferece na prática e no brilho do olhar. Sem expectativa ou ansiedade. Sem a loucura do palpável. Se eu encontrar um motivo para sorrir na ilusão de olhares confusos, escolho que me basta e que me serve. Decido suspirar e pensar menos no que é passível de fazer ou não sentido na realidade de minhas novas realizações.
Se o meu mundo insistir em me surpreender com fisgadas na perna e frios insanos na barriga, é de passo em passo, dia em dia e olhar em olhar que viverei. Será de minha paixão desvairada. De minhas imperfeições inventadas com base nas sugestões e piscadelas do destino. De flores, pétalas e pedras, pedradas e pedregulhos do meu caminho. De curvas de quarenta e cinco e de noventa graus. De guinadas de cento e oitenta. Tudo isso até que o universo gire em trezentos e sessenta e me leve de volta pra você e para nosso brilho disfarçado de olhar.
Com a insegurança e com a incerteza, saberei lidar. Viajarei em imagens que só me aparecem em sonhos de noites de outono inverno, pois se estendem por esses dias nosso tempo. Semanas em que a esperança carrega meus pensamentos e conduz meus olhares com o tal do brilho. Espanto do peito a enfermidade da solidão do tempo. Isso porque há menos tristeza para quem escolhe o caminho do clarão do vermelho e bordô com pantone que passa o cento e oitenta e seis de letra cê.
Minhas letras e palavras disfarçadas pouco importam também. Não há paz. Minha intensidade de viver não combina com muito branco ou com cinza. Deixo chover e murmuro “eu também” entre meus lábios para mensagens ocultas que faço de conta que enxergo. Tudo imaginado, louco e desvairado. Entre um suspiro e outro. Entre as borboletas que me rodeiam. Entre sonhos que ainda são só meus. Entre minhas idéias de fábulas. Entre as morais de minhas parábolas tortas e atormentadas pela ironia dos clichês. Entre um brilho e outro do olhar que é só meu para você.
13/05/2008 Tito e o fim do tempo da palavraO tempo das palavras ditas passou. Resta, ao que precisa ser dito, apenas as letras. Sobraram apenas os parágrafos enfadonhos dos meus textos que fazem cada dia menos sentido para os outros. Porém, diante do turbilhão de idéias que me visitam os pensamentos, não há outro caminho que não o de fazer de conta, pretender como diria uma amiga querida. Assim, no meu mundo de fantástica vastidão, sobram-me palavras grafadas que pouco sentido farão aos olhos que não sejam os meus próprios ou os de quem presenciou o momento se constituindo e se esvaindo em segundos gelados da minha cidade considerada outrora perdida por quem mais viveu e escreveu em se tratando do cinza que mancha nossas ruas com nomes pomposos. Pronto. Hoje decidi escrever sobre o que não posso falar. Ponto.
Tudo começa pelo mais clichê dos acontecimentos. Começa por aquela mania louca de encontrar o que não se procura onde não se deve encontrar muita coisa além do que de previsto e comum existe.
Sentido? Coesão? Simplicidade no encadeamento de idéias?
Vá ler outro texto.
Um passo em falso e o tombo parece grande demais e valorável o suficiente para pisar com ternura e imprudência. Assim, sigo com meus pés incautos e meus atos mesquinhos aos olhos de quem jamais presenciou meu carinho pelos sentimentos mais puros. Sigo sem esperança e com braços estendidos para cima, como quem diz “ok, me rendo” e nada mais. Não há mais nada nessa estrada além de encanto e solidão. Há pouca certeza e pouco chão para meus pés de taurino em busca da segurança do que se conhece de cor.
E então? O que fazer? Precisamente nada. Esperar e assistir ao descortinar do tempo e ao desfecho do que se chama de fé ou destino. Meu negócio, nesses dias em que a palavra viu seu tempo se esgotar, é esperar. Diferente do que fora num passado de sofrimento e angústias, apenas sorrio nervoso com esperança. Porém, tenho que confessar que a agonia do mais essencial na vida aparece e se mostra maluca. Enche-me o estômago de insetos impertinentes nas mais diferentes horas do dia.
Com a lembrança de um brilho de olhar incomparável, puxo o ar com força e solto em pensamentos. Dou vazão ao que me parece palpável apenas em pensamentos distantes. Meros ecos da realidade. Recordo-me de como era quando eu era criança. Parecia que uma simples prece com as mãos unidas resolveria os mais ingênuos dos problemas complexos. Assim, rezava aos anjos, meia dúzia de santos e à minha Deusa e Rainha. Pedia junto para que fosse protegido o sono de minha família e a paz da minha casa e das casas pelo mundo. Parecia injusto rezar apenas pelo que me custava caro em peso de sentimento pessoal.
No entanto, nesse tempo de palavra perdida, volto meu olhar para o horizonte. Vejo, logo à frente, um tempo de escolhas para as quais já tenho definidas as decisões mais questionáveis. Não sei ser diferente, jamais seria desse meu jeito nem-mal-nem-bem caso negasse minha essência de sonhos e paixão. Vivo e deixo sonhar. Apaixono-me e deixo acontecer. Há muita coragem e pouca prudência no meu caminho para o fim do tempo da solidão.
02/05/2008 Tito ou Felipe? Façam suas apostasNem mal, nem bem. Não há paz ou fúria que se desfaçam em meio ao turbilhão de minha vida. Não posso dizer que existe um estado que é só ou completo. Pelo contrário, vivo num desequilíbrio de metades. Respiro ao alvorecer de luzes das chamas e ao apagar de novas trevas só minhas. Ao meu mundo, tudo que me pertence de forma concreta. “Como Tito poderia de ser diferente?” Pura bobagem. Um amontoado de resmungar de um ranzinza convicto. Sou eu mesmo rodeado de perguntas e sonhos. Sou paz, fúria e solidão num mesmo recipiente de carne, ossos e tripas.
Aproxime-se do texto quem tiver coragem. Tem que ter bolas para ler sem julgamento. Para entender o que nem mesmo os Deuses mais pagãos conseguem viver sem expectativa e medo. Sou a intensidade que grita desejos e expele vontade pelos poros. Sou metade menino e outra metade homem. Ambos loucos e perdidos, confusos e apaixonados pelos momentos e pelo simples que neles moram e que neles se escondem. Somos insanos, Tito e eu: carne, ossos e tripas; paz, fúria e solidão. Mesma pessoa, muitos pecados e poucas confissões.
“Quais confessar?” Nasci ao meio-dia de um dia de noite de lua cheia. Cheguei ao mundo, meu mundo, com a influência da ascendência de um leão com data em touro. Não há estrada que eu não tente atravessar e, se a menos navegada fizer alguma diferença, será minha escolha. Constante. Inconstante. Sou de bastantes paradoxos, poucos eufemismos e muita metalinguagem. Com minhas letras e palavras, rimam a paz, a fúria e a solidão, a carne, os ossos e as tripas.
Sou muito para mim mesmo e intensidade demais para alguém. Não me mostraria inteiro, não agora. Tentamos, Tito e eu, uma vez e o resultado foi de peças quebradas, sentimentos perdidos e assustadora distância. Que fique no passado. Por hora, só sei que quero amar. Porém, preciso aprender como entregar minhas mãos para outras. Tenho que descobrir nos abraços e beijos o conforto e cheiro de casa e de terra molhada. Tenho que me entregar com todas minhas letras e palavras, meus sonhos e desejos, minha carne, ossos e tripas, minha paz, fúria e solidão, meus medos. Há tanto para tão pouco tempo.
No entanto, não estou pronto. Não estou pronto porque não sou mais criança. Sou adulto confuso agora. Aquele que - em meio ao viver simples e respirar pesado - escreve, ensina, aprende, pede, faz acontecer seu pouco para o universo.
Publicitário de carne, ossos e tripas.
Professor de paz.
Escritor de fúrias.
Homem e menino de solidão.
Nem mau, nem bom.
Nem mal, nem bem.
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