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5/30/2006 Palavra di Branco VéioTudu acomeçô numa brincadêra na sala di aula di ser mestre, mas logu Zipai Tito, o Branco Véio, começô a iscrevê aconselhamento pra lidá cos Exú da vida. “Nunca i nem jamais, suncê devi votá nu PT, Zifio.” Pro Branco Véio, Tito, essi era o primêro negócio mais ruim da vida pra conjurá Exú. Tanto Exú econômico quantu Exú mensalêro. Adispois Tito, o Branco Véio sempre adizia com voiz forti di Zipai sabedô. “Num podi fraquejá dianti dus caminhu da vida, Zifio.” Tem sempri qui pisá cum pé forti amassandu as fôia du chão. “Sem esquecê qui nunca i nem jamais, suncê devi votá nu PT, Zifio.” Casu os Zifio mais ludibriado tenham votadu nu PT da ôtra veiz a simpatia di Zipai Tito, o Branco Véio, é istorá pipoca cantando música di “marinhêru só” i levá a pipoca pra fluresta i joga cum força pur cima du ombro i num olha pra tráis i dá doce pras criança nas rua i nunca mais apertá treze na urna. Daí, Zifio tá livre dus mensalêro, pelu menus dus pior delis qui são os cum barba grandi i qui fala purtuguêis erradu. Branco Véio Sabedô também sempri aconseia os Zifio: “Num lê porcaria, Zifio. Istuda pra sê dotô. Trabaia pra ganhá u qui cumê.” I si sobra din-din istora as pipoca i joga pur cima dus ombro pra evitá us mau oiado. Sem isquecê di num votá nus mensalêro i nus barbudo qui num sabi portugueis. Sem isquecê di pisá cum força nu chão i respeitandu us outro, Zifio. Os Branco Véio. Os Preto Véio. Os Exú. Os Caboclo Sabedô. As Entidade. E as pessoa mais tonta du mesmu jeitu. Fazendu o qui u Zipai Tito, o Branco Véio, o Caboclo Sabedô, diz, os Zifio num entra em terra di Exú i nem fica com as costa carregada. “I num isqueci di votá direitu, sem apertá o número dos mensalêro barbudo, Zifio.” 5/21/2006 Para O Meu Irmão do Olhar DistanteNaquele ano, as semanas se transformavam em meses muito rápido. O outono ameno dava lugar a um inverno forte daqueles que afastam as pessoas que se odeiam e que aproximam aquelas que encontram conforto no afeto. Por isso mesmo, Tito se preocupava tanto com seu irmão. Aquele menino brilhante do olhar perdido se transformava num homem. “Aos poucos, é claro.” Tito percebia a distância e ouvia o inverno dizendo para aproximar, para cuidar. Muitos compromissos e tão pouco tempo para tanto. Tantas pessoas para se amar e apenas uma vida para muito. Tito sentia que seu irmão precisava mais dele do que de seus conselhos aleatórios sobre o certo ou errado. “Tem dias em que gostaria de estar por perto nem que fosse só para puxar a orelha.” Ou para abraçar. Ou para conversar bobagens. Para falar palavrão e dar risada. Não importava o motivo, mas a distância e o inverno incomodavam. Faziam aumentar a saudade. E Tito, enquanto lia em seu quarto, se distraia e acabava olhando para o quadro que aquele mesmo menino do olhar distante pintou. “Quanto talento!” Não havia como deixar de exclamar! O orgulho fraternal lembrava o quanto ele fazia falta num inverno tão sem sorrisos. E assim os dias passavam. O inverno trazia gripe pra todo mundo e para Tito. A gripe trazia mais tempo para admirar o quadro. Cada dia, uma cor nova. Cada dia, uma tonalidade desconhecida. Cada dia, um detalhe nunca antes notado por Tito. E seus olhos brilhavam na esperança de que os olhos do menino continuassem no infinito. No distante. No futuro. “No brilhante futuro que lhe é reservado.” No sucesso escondido no final da estrada dos passos corretos. “Basta seguir, meu irmão, basta seguir.” |
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