Felipe's profileO Fantástico Mundo de Fe...PhotosBlogLists Tools Help

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    28/12/2006

    Poema de um Cronista

     
    Hoje escrevo pensando em ti
    Não simplesmente porque o mereces
    Muito mais por tudo aquilo que vivi
    Coisas que o pensamento murmura em preces.
    Pobre tolo mal sabe do amor que senti
    Hoje, sinto e morro com o que escrevo
    Sempre, sento e morro para escrever
    Afinal, julgo infeliz e triste todo o povo
    que escreve um segundo sem morrer.
     
    26/12/2006

    Papai Noel o C-A-R-A-L-H-O! Eu quero é praia!

    Tito arrumou a mala enquanto tomava uma Original bem gelada. Cuidou para não esquecer das cuecas. “Afinal uma viagem sem cuecas pode virar uma excursão para o inferno.” Lembrou da toalha pela primeira vez na vida. E, enquanto escutava Stairway to Haeven do LedZeppelin, esqueceu da câmera fotográfica. “Maldição das pessoas que arrumam a mala de madrugada.”

    A viagem foi tranqüila. A conversa cheia de quero-escutar-quero-ouvir com sua irmã fez o tempo passar rápido. Curitiba, Garoupaba em 3 horas e meia. Média razoável de velocidade. O Natal estava só começando. “E que Natal.”

    Seria fácil apenas escrever sobre o que aconteceu, mas a aventura desse texto trata exatamente de paixão pela vida. Algo que não se enxerga com os olhos mortais dos medíocres. A paixão pela vida trata do apego ao simples. Trata do sentimento bom do pé na areia e do vento misturado com raio ultravioleta no rosto.

    Chegaram ao Hotel e Tito sentiu uma vontade filha da puta de ir ao banheiro. O problema é que o Guia Turístico / Dono do Hotel / Chato pra Caralho não parava de falar sobre as maravilhas do lugar. “E eu só pensava em mijar.” Não havia o que impedisse o homenzinho chato pra caralho de falar sobre o turismo ecológico e essas outras coisas da moda.

    Depois de puxar a descarga e lavar a mão, a primeira praia que visitaram foi a do centro de Garoupaba mesmo. O camarão era bom demais. A cerveja era Bohemia. O vento no rosto provocava uma sensação indescritível de querer viver para sempre. Claro que isso tudo foi interrompido várias vezes pelos vendedores de bijuterias de planta, mato, pena, frutas secas e sabe mais lá o quê. “Eles são a versão praiana dos malabaristas de farol.”

    Isso tudo e estamos só na sexta de manhã, dia 22 de dezembro. De tarde, depois daquela bezuntada básica no corpanzil com um protetor solar número 30 e um número 15, eles foram para a Praia do Rosa. “30 + 15 na tentativa de chegar num 45. Não tinha outro, fazer o quê? Se tivesse 280, eu passava.”

    A paia era incomparavelmente (______). “Adjetivo em branco porque ainda não inventaram um tão bom pra escrever nessa parte.” Mais vento no rosto. A cerveja era Skol dessa vez. Mais camarão e uma caipira. Outra vez a vontade de viver pra sempre. “Ou de morrer e encontrar bem aquilo no além túmulo.” Mais alguns vendedores de fruta seca em forma de bijuteria. O dia 22 terminou com banho na piscina do hotel e banho para mais cerveja no jantar. “Só tinha Kaiser.”

    Dia 23. Praia do Ferrugem o dia todo. Areia no meio dos dedos do pé. Calor nas costas. 30 + 15 de protetor solar. Bar do Zado. Mesa na beira do mar. Mais vento no rosto. Skol e caipira de maracujá. Sono gostoso usando um montinho de areia como travesseiro. “Puta que pariu, vida boa!” Mais sol e todos os vendedores de coco seco na forma de bijuteria do mundo.

    No dia 24, Bar do Zado outra vez, Tito já chamava o dono do lugar e os garçons pelo nome. O bom humor era tamanho que ele até comprou uma porcaria de uma pulseira de coco podre. “Antes que eu enlouquecesse e cometesse uma insanidade contra um daqueles caras.” Mais vento no rosto. Pastel de camarão. Vontade de esquecer da vida em Curitiba.

    Dia 25 teve mais. Mais bar. Mais praia e mais sol. Tudo tão bom quanto no dia anterior. Tudo que faz a vida valer a pena se repetindo naquele que era o melhor Natal de todos os tempos. Tito não sabia mais chorar, só sorrir. Traçou planos para sua vida até 2012. Ouviu os barulhos das ondas e deixou um pedaço do seu pensamento para sempre naquele lugar. “Papai Noel o caralho! Eu quero é praia!”

    21/12/2006

    A Mulher Ideal de acordo com Tito

    A mulher ideal tem que ser mulher de verdade. Não aquela coisa toda de Amélia. Mulher de verdade no sentido mais pleno e complexo que a palavra pode designar.

    A mulher ideal tem que ser companheira. Tomar cerveja. Gostar de boteco. Saber o que quer na medida do possível, mas pode ser um pouco confusa e inconstante também. Isso tudo desde que me ame. Claro! Encontrar amor na mulher ideal é imprescindível. Indispensável. Fundamental é mesmo amar. Porém, é possível ser feliz sozinho. 

    Voltando à mulher ideal. A mulher ideal não precisa ser tão ideal assim. Pode até arrotar se tiver vontade, mas não pode roncar. Roncando não tem como mesmo. Pode ter manias variadas, até porque eu tenho muitas manias que são só minhas mesmo. Então, eu e a mulher ideal podemos até trocar algumas destas e rir das nossas próprias neuroses. 

    A mulher ideal, ahhh, a mulher ideal. Ela tem que ser forte no sentido de caráter. Gente mau caráter não funciona comigo. Ela precisa me surpreender com abraços e beijos que vem do fundo da alma. Daqueles que podem ser no corredor, na praia, na fazenda ou lá em casa mesmo. Tanto faz onde. Não importa quem esteja por perto, olhando ou disfarçando a inveja do nosso desejo de estar perto um do outro. 

    Na minha mulher ideal, a paixão tem que andar junto com o amor. Ela tem que ter minha intensidade para admirar o que é bom e bonito no mundo. Ela precisa ter sensibilidade com as coisas que fazem a vida valer a pena. Eu sei que essa parte é meio que uma ilusão minha projetada na mulher ideal, mas já que ela é ideal mesmo vamos tratá-la como tal. 

    A mulher ideal também precisa gostar de cinema, do Fante, do Bukowski e do Hornby. Precisa gostar também dos Beatles, do Nirvana, do MidnightOil, Weezer, ColdPlay e MassiveAtack. Ou melhor, ela precisa apenas conhecer, porque senão ela seria ignorante num assunto indispensável para a sobrevivência da vida no planeta. Ela pode até discordar de mim quanto à qualidade, desde que faça isso com muito conteúdo. 

    A mulher ideal, e vou repetir isso porque é importante, não precisa ser tão ideal mesmo. Ela pode até gostar do Almodóvar ou torcer pro Atlético. Desde que não tente me convencer a mudar de time ou a gostar de filmes com personagens bizarros que são pais de crianças não tão inocentes ou puras que vivem num cenário infernal. 

    A mulher ideal é isso para mim. Simples. Não muito constante. Companheira. Cervejeira. Solícita. Apaixonada. Carinhosa. Delicada. Linda. Intensa. É pedir muito?

    08/12/2006

    Quem nunca ainda amou?

    Ele tinha um plano.

    Entrou no Mini Guaíra com a carteira na mão. Pronto para comprar um ingresso e passear pela XV de Novembro.

    - Uma meia... não... quero dizer... uma inteira.

    Tito poderia ter comprado um ingresso pagando menos com sua carteirinha-de-super-estudante-de-mestrado-aos-23-anos, mas preferiu pagar inteira. “Até na hora de comprar ingresso, eu penso nela.”

    - Não aceitamos cartões aqui. Você vai ter que comprar na bilheteria do Guaíra mesmo, aqui na frente. Eles vão falar pra você comprar aqui mesmo, mas daí você explica que quer pagar no débito e eles deixam você pagar lá.

    “Uau!” Uma conspiração dos bilheteiros, praticamente.

    - Ah... hmm... sem problemas.

    Caminhou pelo centro a procura de um HSBC. Não queria apenas comprar o ingresso inteiro sem usar sua carteirinha-de-super-estudante-de-mestrado-aos-23-anos. Queria também passar em uma banca bem vagabunda de flores da XV e comprar uma rosa cor de champanhe, igual à daquele buquê que ele enviou no aniversário dela há praticamente 6 anos. “Mas que puta-que-pariu! O tempo passa rápido demais!”

    Não encontrou o banco. Caminhou até a Marechal Deodoro. Andou um pedaço da XV e chegou à brilhante conclusão de que só encontraria um caixa 24 horas do HSBC no Palácio Avenida. Não sobraria tempo. O universo e sua conspiração contra entregar uma rosa champanhe para ela.

    Decidiu deixar as flores pra lá, mas sem muita convicção. “Afinal o universo não quer mesmo que eu entre igual um imbecil num teatro às 9 horas da noite de uma quinta-feira carregando um pedaço-de-planta-fresquinha-mas-morta.” De que adiantaria de qualquer maneira? Ela não olharia para ele quando recebesse o tal pedaço-de-natureza-morta e cairia de amores outra vez.

    Foi até a bilheteria do Guairinha. “São tantos nomes pra teatros que são um só, mas que são três. Uma zona, parece o negócio do Espírito Santo com o pai e com o tal do filho. Confundo os nomes sempre.”

    Um velho contanto notas de um real terminou de contar um maço e olhou com ar de saco cheio com a vida.

    - Pois... não.

    “Essa pausa entre o pois e o não aconteceu de verdade, não tô inventando.”

    - Queria comprar um ingresso pra peça do Guairinha que é ainda menor que este Guairinha aqui.

    - Ingresso para aquela peça de lá é só lá mesmo.

    - Ah. Então... o cara me disse que você falaria isso. Acontece que tenho que pagar no débito.

    - Ahhhhhhh. Tudo bem então, mas tem que comprar na bilheteria do Guaírão mesmo.

    Piada pronta. Parece episódio do Power Rangers com Mega-Zorde, Super-Mega-Zorde e Super-Hiper-Jet-Sônico-Mega-Zorde.

    Foi até o Super-Hiper-Jet-Sônico-Guairão. Era uma daquelas bilheterias em que a voz do bilheteiro sai pela caixa de som. “O cara do outro lado soava invariavelmente igual ao Robocop.”

    - Uma inteira, por favor, para a peça que vai começar as nove no menor de todos os Guairinhas dessa cidade.

    - Ah... tem que comprar lá mesmo.

    “Maldita conspiração dos cambistas e bilheteiros do universo!”

    - Ah... hmm... então. O cara lá me disse que você falaria isso, mas acontece que eu preciso pagar no débito porque o HSBC mais próximo parece ser só no Palácio Avenida. O que me leva a não poder nem mesmo comprar a flor na banca vagabunda que fica a uma quadra daqui.

    - Que flor?

    “Ah! Pelo amor de São Pilatos! Um Robocop curioso!” Sua carteirinha-de-super-estudante-de-mestrado-aos-23-anos permanecia guardada na carteira quando ele respirou até dez e implorou.

    - Uma inteira, por favor. Por favor. No débito, por favor.

    Depois de um século para imprimir o comprovante numa revolucionária impressora Bematech que, aliás, também soava como o Robocop, Tito foi dar uma volta na XV. A história da flor não lhe saía da cabeça. Queria muito, mas não tinha um puto na carteira e a banca vagabunda não aceitava cartão mesmo.

    Amaldiçoou o Palácio Avenida por ser tão longe e se sentiu um animal por não conhecer um banco mais perto. “Deve ter um por aqui, mas que se foda.” O universo não queria ver flor naquela peça de teatro. Tito procurou se conformar.

    Ventava bastante. Passou numa lanchonete. Achou uma moeda qualquer na carteira e comprou um Halls preto. Comeu vários em menos de cinco minutos, colocando dois a dois na boca e mastigando. “Não tem nada a ver com nervosismo.” Suava na testa, mesmo com todo aquele frio e vento do tempo insano de Curitiba. “Calmo como um show do MotorHead.”

    Entrou no teatro. Estava meio vazio. Encontrou algumas pessoas conhecidas. Amigas dela em sua maioria. Lembrou em o quanto ele, Tito, costumava ser imbecil com as amigas dela. “Inclusive com estas aí que vocês estão imaginando.” Realmente a flor não faria nem cócegas em toda essa mágoa.

    A luz apagou. O Halls preto acabou. Tito a viu entrar no palco e sentiu alguma coisa pular no peito feito galope de cavalo manco. Fez de conta que estava arrumando a camisa para ter certeza de que se tratava de seu coração mesmo. Como batia forte. Olhou apaixonado novamente para a mulher que mais amou na vida.

    Durante a peça, sentiu como se estivesse conversando com ela. Ela havia escrito parte do texto, fato que lhe enchia de orgulho. E, por ter escrito, havia várias menções a detalhes que ele sentia tanta falta. O tempo voou. Gargalhadas foram espalhadas por Tito. Sentiu-se no passado. Sentiu-se muito feliz por estar perto dela novamente. Não importava que fosse a versão-atriz-super-hiper-jet-sônica-mega-talentosa-dela. Só importava estar ali ouvindo e vendo seu sorriso. “O sentimento é uma coisa tão patética que eu chegava a achar bonito o jeito que ela ficava em pé e andava e parava dramaticamente.”

    Risadas e num universo de pensamentos e lembranças. Não tardou a acabar. Tito acordou de um dos melhores momentos dos dois últimos anos com os aplausos. Sorriu e aplaudiu orgulhoso.

    Esperou por ela. Queria estar numa pose meio James Dean / Raian Atwood quando ela saísse, mas frcassou. Abraçou-a. “São Pilatos! São Super-Hiper-Jet-Sônico-Mega-Zorde! Que saudade desse toque.” Do abraço. Do cheiro. Do carinho. “Aminésia instantânea era a única posologia para o sentimento daquele instante.” Largou-a antes que ficasse constrangedor e tentou fazer uma piada para provar que era uma pessoa divertida agora. “Sei lá! Mostrar que mudei! Sei lá! Deveria ter trazido a flor! Deveria ter roubado uma na banca vagabunda.”

    No fundo, ele só queria que ela soubesse que o Tito de antes era um Tito melhor. Que o Tito de agora tinha várias qualidades que o de antes não tinha. E que o Tito de agora jamais a magoaria outra vez.

    Despediu-se. Foi até o carro imaginando uma cena de cinema em que ela correria até ele. Depois de um abraço memorável, ela beijaria sua boca de Tito de agora, falando algum fru-fru-qualquer-e-bonito. “Claro que não aconteceu.” Mesmo assim, ele caminhou olhando para trás. Para o teatro. Para o passado. Sentiu-se tão vazio, em sua volta para casa, que não sentiu nem vontade de chorar. Entrou em casa. Tirou a roupa. Deitou na cama de luz apagada e escreveu esse monte de porcaria. Não sem antes fazer a irresistível cagada de mandar uma mensagem pelo celular dizendo:

    “Gostei da parte em que você fala de morder o canto da boca (era uma coisa que ela fazia no nosso tempo também). Vi muita coisa que lembro com carinho. Parabéns! Quanto talento!”

    O amo você procurou guardar em seu próprio mundo fantástico e vazio.