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12/21/2005 Que a Luz de Maria...Dia 21 de Dezembro. Faltavam três dias para a véspera de Natal. Contagem regressiva para o último dia em que se pode comprar presentes com data de validade digna de São Nicolau. Correria. Empurra-empurra. Os shoppings estavam todos lotados. Crystal. Estação. Barigüi. “No Curitiba eu me recuso a ir.” A vida de Tito parecia confusa demais. Era como se o calendário de Dezembro tivesse emprestado os curtos dias de fevereiro e feito uma bagunça com todas as festas típicas da época. Correria. Empurra-empurra. Bagunça. Presentes a menos na sacola. Preguiça. Falta de dinheiro. Tudo se misturava num redemoinho interminável de desgraças superáveis. “Sim, sim! Todas superáveis!” Tito andava de vitrine em vitrine. Procurava aquele último presente. Amaldiçoava o Natal e toda a hipocrisia que envolvia. Mais empurra-empurra. “Mas que merda!” Recordava com saudade do tempo em que o dia 25 de Dezembro ainda era um dia feliz. “Isso foi num tempo em que minha única avó ainda era viva.” Dentro da f-nac, entre um DVD e outro, Tito recordava. “Tempo de cuidados, de Sustagem embaixo da mesa, de frio de verdade e de cobertor sempre a mão.” Recordava do sorriso dela a cada presente que ganhava. “E do sorriso maior ainda a cada presente que entregava para seus netos e filhos.” Enxergava, como se fosse uma foto colada na vitrine, a mistura de risos sem fim e de lágrimas contidas em seu rosto de mulher forte. Maria da Luz. Maria da Luz que era rocha. Fortaleza. Porto seguro. “E muitos outros adjetivos que servem como nomes metafóricos a cidades espalhadas pelo país.” Dizia todas as palavras certas, pois jamais conseguia esconder um sentimento. “Tempo do certo certo de verdade e do errado colocado em pratos limpos.” Avó, mãe, fibra e coração de uma família toda. Maria que fazia o Natal de verdade. Maria que foi e que levou consigo o gosto do pernil, do presente, do presépio, do chester e da torta de sonho de valsa. “Maria que me faz tanta falta.” Maria que se estivesse por aqui transformaria o fevereiro em dezembro novamente. “Com direito a Natal sem hipocrisia e com direito a um ano novo para comemorar pra valer.” Tantas coisas que ele queria poder dizer e contar e mostrar para ela. Coisas certas e erradas. Coisas boas e ruins. Porque ela não fugia da verdade. Ela não tinha medo de nada, nem de ninguém. “Nem de coisa alguma.” Ela amava a vida, a família e viver em família. Ela, a Maria que faria de um tudo para que Tito sorrisse risos sem fim. “Nem que fosse chorando junto, daquele jeito só dela.” 12/16/2005 Natal em Família?Nenhuma lágrima lhe escapou dos olhos naquele dia. Tito respirou fundo. Encarou a cara de decepção de uma das pessoas que mais respeitava em todo mundo. Não chovia. Abriu o portão e saiu com a dignidade de quem sofre em silêncio. O vento parado de uma terça-feira soprava asmático. Seu avô também sofria. “Eu acho.” Dentro do carro um último olhar. Não de tristeza, mas de ódio e raiva. “A porca da minha tia espiava pela janela, escondendo um riso frouxo e covarde de contentamento.” Ou seria insanidade? Maldade? O Natal de 2005 acabou naquela semana. A loucura e a falta de controle daquela “mulherzinha” que ninguém amava, “e que no máximo suportava por pena”, destruiu momentaneamente a beleza de uma família. Família até então unida. Ligou o carro e sentiu os pneus afundarem num mundo desconhecido e sem chão. Dirigiu com o porta-malas cheio, a consciência leve e o coração pesado. “Com ódio se escreve pouco.” 12/2/2005 Vamos Todos Perfilados, Saudar!Idéias, dívidas e perguntas. Todas surgem de onde menos se imagina. “Outro dia me pediram para fazer uma breve descrição do meu perfil.” Tito olhou para si mesmo em busca de apenas uma personalidade para descrever. “Eu pensei: Caralho! Não tem como ser breve nessas coisas!” Assim, sua lista de características peculiares ficou gigantesca. Como a vida. Como a alegria. Como a dor. Como a mágoa. E como tudo que é tão ruim que parece que vai durar pra sempre, mas, que no fim das contas, não dura nem dois dias. “Bom, vamos lá.” Tito nasceu na hora do almoço. Nasceu incomodando pra todo mundo se acostumar com seu jeito desde o começo. Chorou como toda criança, mas chorou levantando o braço e pedindo a sobremesa que a enfermeira teimava em não trazer. “Convenhamos que nascer dá sede pra caramba e que meio-dia é hora de gelatina aguada de hospital.” Nos meses seguintes, deitado no berço, Tito se demonstrou introspectivo. “Ensimesmado, eu diria.” Alguns afirmavam que ele já estava começando a tomar as decisões mais importantes de sua vida. “Carreira, investimentos financeiros, plano de saúde e de aposentadoria. Definitivamente não tem como ser breve nessas coisas!” Assim a adolescência e a juventude chegaram sem grandes surpresas, pois tudo estava planejado. Objetivos traçados. “Claro que não vou falar de amor ou de paixão. Falar de mulher quando se fala de si mesmo é um erro grave que não cometo jamais. Quero dizer, de vez em quando é que eu consigo não cometer.” Seu talento acadêmico e sua capacidade de perseguir sonhos inimagináveis o conduziram a vitórias impensadas. Livros. Notas. Reconhecimento. Sorrisos. “Um belo futuro pela frente, qualquer um afirmaria.” Contudo, Tito cansava rápido do que era muito fácil. “Essa parte é complicada de explicar e não tem como ser breve mesmo!” Lutava para encontrar novos desafios. Novas batalhas para travar consigo mesmo e com o destino sempre impiedoso. Lápis e cadernos. Canetas e páginas em branco. Teclado e monitor pacientes. “Encontrei uma estrada sem fim.” Ouviu e atendeu ao chamado incessante das letras teimosas. Palavras irônicas. Frases bem construídas. “Já disse que não tem como ser breve nessas coisas?!” De uma madrugada para a outra, a estrada se transformou num caminho sem volta. Escrever passou a ser uma necessidade. “Assim como comer pizza de mussarela com bastante orégano e tomar cerveja bem gelada numa sexta-feira qualquer.” Porém, a paixão de Tito não se limitava aos livros e às pizzas de mussarela com bastante orégano. “DVDs.” Exercitava-se semanalmente com a compra, um tanto quanto compulsiva, de filmes. “Consumismo que tão bem faz ao meu humor e que tão mal faz a minha conta bancária.” E já que o tópico “paixão sem limites” foi abordado, não tem como deixar de falar dela. “Eu sei que eu prometi não entrar na parte sentimental-amorosa, mas sou fraco mesmo. Não consigo deixar essa parte de lado.” Lindinha: aquela que está sempre lá. Sempre com aquele jeito que encanta quando sorri, chora ou grita. Sempre e sempre. “Lindinha! Ah, Lindinha! Nessa parte não tem como ser breve de uma vez!” Amor. Cuidado. Paixão dedicada. “É ela que me olha de um jeito literalmente indescritível. Tão indescritível que nem o mais utópico dos idealistas pode sequer imaginar.” Tito e suas paixões realmente se relacionam bem. Lindinha. Família. Amigos. DVDs. Livros. Pizza de mussarela com bastante orégano. Sua vida pode ser classificada como excelente em todos esses aspectos, inclusive no familiar. “Tenho um tio-padrinho-melhor-amigo extremamente inteligente. Tenho uma mãe que está sempre ao meu lado e com a qual posso sempre contar. Tenho um avô que representa toda minha força e minha fé. Tenho um irmão que não faz nem idéia da força e do talento que seus óculos escondem.” No fantástico mundo de Tito tem de tudo. Os amigos são variados. “E todos importantes a sua maneira. Posso escrever um tratado sobre só essa parte, afinal não tem como ser breve nessas coisas!” Há vários parentes próximos e queridos. Aliás, seus primos de verdade são todos excelentes. “Posso até escrever uma monografia toda sobre esses primos que sempre estiveram presentes na minha vida, mas acho melhor deixar pra lá.” Além disso tudo, Tito ainda conta com Maninha, sua amiga imaginária. “Ela que, quando não está na Espanha tirando fotos, passeia aqui por perto.” E pra finalizar vamos fazer uma síntese do Tito de hoje. “De agora mesmo, enquanto escrevo.” Trabalhador. Apaixonado. Escritor. Publicitário. Redator. Especialista em engenharia econômica. Mestrando em administração. “Estou quase sempre sorrindo, pois quase nunca tenho motivo para chorar.” E, embora não exista maneira de ser breve nessas coisas de perfil, pode-se descrever um Tito de uma frase só. Aquele que intensamente pensa o seu mundo do tempo todo e que, de um jeito ou de outro, nunca está sozinho. “Pensando bem, até que eu fui breve.” |
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